CASO CLÍNICO SOBRE REAÇÃO ADVERSA AO MEDICAMENTO
CASO CLÍNICO
R.T.V.O. gênero feminino, 32 anos de idade, GIII, PII, A0, foi diagnosticada com HIV por volta da 15ª semana de gestação. Foi iniciada a terapia com Combivir e Nerirapina (200 mg diários durante duas semanas, e então 200 mg duas vezes ao dia daí em diante). No 10ª dia de terapia anti-retroviral (TARV), a paciente apresentou um leve rash cutâneo no tronco, lesões vesículo-bolhosas ulcerativas
em regiões de lábios, gengiva, língua e mucosa genital, conjuntivite purulenta, faringite e febre, tendo sido tratada ambulatorialmente e orientada para seguimento em regime domiciliar. No dia seguinte, a paciente retornou apresentando erupção cutânea eritematosa generalizada, sendo admitida para tratamento hospitalar devido suspeita de Síndrome de Stevens-Johnson (SSJ). A TARV foi suspensa. Vinte dias após, com resolução completa do quadro de SSJ, a paciente ganhou alta e, posteriormente, foi iniciada em um novo esquema de TARV (Combivir + Efavirenz), mantendo-se bem desde então.
1 - Busque nas Literatura descrição sobre reações adversas a medicamentos (RAM) envolvendo a terapia anti-retroviral (TARV) do caso relatado.
No caso acima, o paciente faz uso de dous antiretrovirais: COMBIVIR E NEVIRAPINA
O COMBIVIR é uma associação de dois fármacos, a Lamivudina e a Zidovudina e podem causar várias reações adversas: Reações adversas hematológicas: nos doentes sob tratamento com zidovudina pode ocorrer
anemia, neutropenia e leucopenia (geralmente secundária à neutropenia). Estas reações
observaram-se mais frequentemente com as doses mais elevadas (1200-1500 mg por dia) e nos
doentes com compromisso prévio da medula óssea no início do tratamento, particularmente com
infeção VIH avançada. Portanto, os parâmetros hematológicos devem ser cuidadosamente
monitorizados (ver secção 4.3) em doentes a tomar Combivir..Acidose láctica: foram notificados casos de acidose láctica geralmente associados a hepatomegalia
e esteatose hepática, com a utilização de análogos de nucleósidos. Os sintomas precoces
(hiperlactatemia sintomática) incluem: sintomas digestivos benignos (náuseas, vómitos e dor
abdominal), mal-estar não específico, perdas de peso e apetite, sintomas respiratórios (respiração
rápida e/ou profunda) ou sintomas neurológicos (incluindo fraqueza motora).
A acidose láctica conduz a uma elevada taxa de mortalidade e pode estar associada a pancreatite,
falência hepática ou falência renal. Disfunção mitocondrial: Os análogos dos nucleósidos e nucleótidos demonstraram causar, in
vitro e in vivo, lesões mitrocondriais de grau variável. Existem notificações de disfunção
mitocondrial em lactentes VIH negativos, expostos in utero e/ou após o nascimento a análogos
dos nucleósidos. Os principais acontecimentos adversos notificados são afeções hematológicas
(anemia, neutropenia), transtornos metabólicos (hiperlactatemia, hiperlipasemia). Estes
acontecimentos são geralmente transitórios. Foram notificadas algumas afeções neurológicas de
início tardio (hipertonia, convulsões, comportamento anormal). Desconhece-se até ao momento
se as afeções neurológicas são transitórias ou permanentes. Qualquer criança exposta in utero a
análogos dos nucleósidos e nucleótidos, mesmo as crianças VIH negativas, deverá ter
seguimento clínico e laboratorial e, em caso de sinais ou sintomas relevantes, deve ser
investigada quanto à possibilidade de disfunção mitocondrial. Um risco acrescido de lipodistrofia foi associado com fatores individuais, tais como a
idade avançada, e com fatores relacionados com o fármaco, como a longa duração da
terapêutica antirretrovírica e as alterações metabólicas associadas. Síndrome de Reativação Imunológica: Em doentes infetados pelo VIH com deficiência
imunológica grave à data da instituição da terapêutica antirretroviral combinada (TARC), pode
ocorrer uma reação inflamatória a infeções oportunistas assintomáticas ou residuais e causar
várias situações clínicas graves, ou o agravamento dos sintomas. Tipicamente, estas reações
foram observadas durante as primeiras semanas ou meses após início da TARC. São exemplos
relevantes a retinite por citomegalovírus, as infeções micobacterianas generalizadas e/ou focais
e a Pneumocystis jiroveci pneumonia (antigamente conhecido por Pneumocystis carinii
pneumonia). Qualquer sintoma de inflamação deve ser avaliado e, quando necessário, instituído
o tratamento. Tem sido relatada a ocorrência de doenças autoimunes (tais como Doença de
Graves) na configuração de reativação imunológica; contudo, o tempo relatado para o início é
mais variável e estas situações podem ocorrer vários meses após o início do tratamento.
Doença hepática: Caso a lamivudina esteja a ser utilizada concomitantemente para o tratamento
do VIH e VHB.
Além dos mais conhecidos, como: neutropenia, leucopenia, anemia, vertigens, aumento sérico das enzimas hepáticas e da bilirrubina, mialgia e mal-estar geral, erupções cutâneas, alopecia, fadiga, mal-estar geral, febre, náuseas, vômitos, dor abdominal ou cólicas, diarreia, cefaleias, insônias, tosse, sintomas nasais, artralgia e alterações musculares, aumento transitório das enzimas hepáticas (AST, ALT), neutropenia e anemia (ambas ocasionalmente graves) e trombocitopenia; hepatite, pancreatite, aumento da amilase sérica, angioedema e rabdomiólise; aplasia pura a células vermelhas e neuropatia periférica (ou parestesia), convulsões, miopatia, pancitopenia, flatulências, prurido, astenia, depressão, insônia, cardiopatias, alteração no paladar.
A NEVIRAPINA, poderá causar: erupções cutâneas e os testes de função hepática anormais, náuseas, fadiga, febre, cefaléia, vômitos, diarréia, dor abdominal e mialgia. Casos muito raros de anemia e neutropenia podem estar associados à terapia . Relatou-se artralgia como um evento isolado e raro, a mais comum é a erupção cutânea. Reações cutâneas graves ou potencialmente letais ocorrem com uma freqüência de 2 % . Essas reações incluem síndrome de Stevens-Johnson (SSJ) e mais raramente, necrólise epidérmica tóxica (NET), que podem ocorrer quase que exclusivamente nas primeiras 6 semanas de tratamento. As erupções cutâneas ocorrem isoladas ou num contexto de uma síndrome de hipersensibilidade caracterizada por erupções cutâneas associadas a sintomas constitucionais tais como febre, artralgia, mialgia e linfadenopatia acompanhados de comprometimentos viscerais, tais como hepatite, eosinofilia, granulocitopenia e disfunção renal. Relataram-se casos fatais de síndrome de Stevens-Johnson, necrólise epidérmica tóxica e síndrome de hipersensibilidade. A experiência pós-comercialização demonstrou que as reações adversas mais graves são: síndrome de Stevens-Johnson, necrólise epidérmica tóxica, hepatite grave/falência hepática e síndrome de hipersensibilidade, caracterizada por erupções cutâneas associadas a sintomas constitucionais como febre, artralgia, mialgia e linfadenopatia complementados com alterações viscerais como hepatite, eosinofilia, granulocitopenia e disfunção renal.
2-Aplique o algoritmo de Naranjo e diga a relação de causalidade de RAM.
Ao aplicar o algoritrmo deNaranjo, obtivemos pontuação de +6, indicando uma PROVÁVEL reação adversa a terapia em questão.Estas reações adversas aos medicamentos classifica-se como causalidade definida, pois há uma resposta padrão com melhora ao suspender o medicamento.
3 – Cite os sinais clínicos da Síndrome de Stevens-Johnson.
A Síndrome de Stevens-Johnson é um problema de pele muito grave que provoca o surgimento de lesões avermelhadas em todo o corpo e outras alterações, como dificuldade em respirar e febre, que podem colocar em risco a vida do paciente. Geralmente, a síndrome de Stevens-Johnson surge devido a uma reação alérgica a algum medicamento, especialmente à Penicilina ou outros antibióticos e, por isso, os sintomas podem surgir até 3 dias após ingerir o medicamento. A síndrome de Stevens-Johnson tem cura, mas seu tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível no hospital para evitar complicações graves, como infecção generalizada ou lesões nos órgãos internos, que podem dificultar o tratamento e colocar em risco a vida do paciente. Geralmente a síndrome de Stevens-Johnson surge com sintomas semelhantes aos da gripe, como cansaço, dor muscular e dor de cabeça, mas que rapidamente são acompanhados de lesões avermelhadas que se espalham no corpo inteiro.
Além disso, outros sintomas que podem aparecer incluem:
- Inchaço do rosto e da língua;
- Dificuldade para respirar;
- Dor ou sensação de queimação na pele;
- Febre acima de 38ºC;
- Garganta inflamada;
- Tosse persistente;
- Queimação nos olhos
Quando estes sintomas surgem, especialmente até 3 dias após tomar um novo remédio, é recomendado ir rapidamente ao pronto-socorro para avaliar o problema e iniciar o tratamento adequado. O diagnóstico da Síndrome de Stevens-Johnson é feito através da observação das lesões, que contêm características específicas, como as cores e as formas. Exames de sangue, urina e amostras das lesões são indicados quando existe suspeita de infecções secundárias.
4 – Cite alguns medicamentos associados a Síndrome de Stevens-Johnson.
A Síndrome de Stevens-Johnson pode ser causada por estímulos como fármacos, infecções virais e neoplasias, embora em grande parte dos casos a etiologia específica não seja facilmente identificável. As drogas mais frequentemente suspeitas são : penicilina, os antibióticos contendo sulfamidas, os barbitúricos, os anticonvulsivantes, os analgésicos, os anti-inflamatórios não-esteroides ou o alopurinol além dos antivirais como Nevirapina e Delavirdina.
REFERÊNCIAS
BULISANI, A. C. P.; SANCHES, G. D.; GUIMARÃES, H. P. Síndrome de Stevens-Johnson e Necrólise Epidérmica Tóxica em Medicina Intensiva. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, vol. 18, n. 3, Julho – Setembro, 2006. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbti/ v18n3/v18n3a12.pdf . Acesso em: 25 mar 2017.
CAPUCHO, H. C. Farmacovigilância hospitalar: processos investigativos em farmacovigilância. Pharmacia Brasileira, set-out, 2008. Disponível em: http://www.sbrafh.org.br/site/ public/temp/4f7baaa626c3a.pdf. Acesso em: 25 mar 2017.
MASTROIANNI, P.; VARALLO, F. R. Farmacovigilância para promoção do uso correto de medicamentos. Artmed: 2013


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